Dinheiro

Dr. Paulo Gaudencio

Sou cuidadosa com meu dinheiro: nunca gasto mais do que ganho, programo viagens com antecedência para conseguir bons preços, não compro roupa por modismo. Minhas amigas dizem que sou prevenida demais e insinuam pão-durismo. Fico surpresa, porque considero a minha postura correta. E, no fundo, me sinto incomodada com os comentários.

Lembra a fábula da formiga e da cigarra? No verão, a primeira trabalhou duro e armazenou mantimentos para o inverno. A segunda só se divertiu e, por isso, não teve o que comer no frio. Me parece que você é uma formiga, preocupada em manter a sua despensa sempre cheia — o que eu considero uma postura ajuizada. Como as cigarras não agem assim, sentem uma ponta de inveja na hora do aperto e a acusam de pão-durismo. Se você está tranqüila sendo como é, não se abale com as críticas. Sorria e pense: “Que pena, essa gente não sabe o que faz”. Tenho, porém, a impressão de que você guarda dentro de si uma cigarra meio reprimida. Não é à toa que, quando as pessoas a chamam de mão-de-vaca, acabam encontrando um cúmplice na sua própria cabeça. Analise se minha tese é verdadeira. Se for, respeite seu jeito formiga de ser, mas adote um pouco do espírito cigarra. Permita-se fazer algo sem juízo de vez em quando.

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