Transtorno bipolar: entre altos e baixos

Às vezes, sobra euforia. Às vezes, falta disposição. Quem sofre de transtorno bipolar vive um inferno emocional que prejudica o namoro, a carreira... NOVA ajuda a reconhecer esse mal comum entre os 20 e os 30 anos.

Texto Cristina Nabuco / Foto Karine Basílio
Transtorno bipolar: entre altos e baixos

A garota trabalha até as 10 da noite se for preciso. Mal entra em casa, telefona para as amigas e agenda compromissos para a semana inteira. Dorme à meia-noite e, às 5 da manhã, já vai para a academia, onde malha por três horas e segue para o escritório. Passa o dia às voltas com reuniões. Emenda com a balada. Dança muito. Na semana seguinte, parece outra pessoa: acorda desanimada, de péssimo humor. Sem vontade de sair da cama nem de comer. Sentindo-se cansada, triste, angustiada, no fundo do poço. Com a impressão de que as forças estão sendo sugadas por um buraco negro. Passa dias e dias assim. E, de repente, sem explicação, retoma o entusiasmo e volta a ser a mulher mil e uma utilidades. Já percebeu esse comportamento em alguém próximo de você? Quem vive nessa gangorra emocional pode sofrer de transtorno de humor bipolar, distúrbio que alterna episódios de euforia e de depressão e tem se tornado mais comum, apesar de não ser novidade.

Até os anos 80, era conhecido como psicose maníaco-depressiva. E há registros de casos desde a Antiguidade. Alguns célebres, como o do pintor holandês Van Gogh (1853-1890), que em uma das crises cortou um pedaço da própria orelha, depois acabou se suicidando. Ele acomete de 0,9 a 1,5% da população (homens e mulheres na mesma proporção) e — atenção! — seus sintomas aparecem geralmente entre os 20 e os 30 anos.

Numa pesquisa com 500 leitoras, NOVA descobriu que várias conviveram com o problema. “Quando conheci a Laura, achei que era meio doidinha, mas ativa e divertida”, conta Cristina sobre a amiga. “Soube que estava procurando lugar para morar e a convidei para dividir o apartamento. Um grande erro. Uma amiga em comum avisou que deveria ajudar a controlar os remédios que ela tomava. Fiquei apreensiva. Não sabia o que a Laura tinha. Enquanto tomou o remédio, tudo correu bem. As coisas começaram a se complicar quando a garota passou a usar álcool e a dormir pouco. A convivência virou um inferno! Em segundos mudava de opinião, brigava, gritava. Depois agia como se nada tivesse aconte cido.”

Já Andréa Luíza viveu o drama com a mãe. “Ela passava madrugadas arrumando a casa e o jardim. De repente, caía na cama e quase não levantava. Nem conseguia ir ao banheiro. Tínhamos de levar comida no quarto. Uma noite, ela fechou os olhos e não acordava mais. Precisamos chamar a ambulância. A partir daí, procuramos ajuda”, conta. O problema também circula na esfera dos famosos. Alguns médicos chegaram a cogitar que os surtos da cantora Britney Spears também poderiam ser sinal de bipolaridade.


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