A possibilidade de uma gravidez

Basta um teste de farmácia para indicar se você estará (ou não) carregando um barrigão em breve. Mas nem sempre o resultado esclarece o suficiente - tanto a quem quer um sim como às aflitas por um não. Existe falso positivo? E se a menstruação não chegar, apesar de a varetinha indicar o contrário? NOVA vai além do que mostra a bula.

Texto Mariana Desimone e Denise Ribeiro / Foto Sérgio de Divitiis
Ligeiramente grávida

Vocês transaram sem camisinha e, semanas depois, sua menstruação atrasou. Para algumas mulheres, imaginar um bebê a caminho é a melhor notícia do ano. Para outras, motivo de pânico. Em ambos os casos, a dúvida de estar ou não grávida gera altíssima expectativa. Enquanto a dita-cuja não vem, você vive uma tortura mental. Quem não quer nem pensar em sapatinhos de crochê se martiriza por causa do vacilo com o preservativo, da fatalidade de ter falhado no anticoncepcional justo naquele mês... E se pergunta: será que ele tirou o pênis na hora H? Há chance de o ciclo estar desregulado? E essa angústia pelo resultado não é menor nas ávidas por um filho, que acham que a cegonha não ouve seus apelos.

Para acabar, de um jeito rápido, com a aflição que já sufocou muitas de nós, inventaram o teste de farmácia. Só na rede Drogaria São Paulo são vendidas cerca de 160 mil unidades de cinco marcas diferentes por ano. É simples assim: você compra o produto e segue as instruções - os mais baratos vêm com uma tirinha para ser mergulhada num pote plástico com a sua urina; os mais caros parecem termômetro e você deve jorrar o líquido direto na ponta dele. Dentro de cinco minutos, aparecerá uma linha, o traço de controle, indicando que o teste foi feito corretamente. Se surgir uma segunda, bebê à vista. Ou seja, o hormônio HCG (sigla em inglês para gonadotrofina coriônica humana), presente no organismo das grávidas e em grande quantidade na urina, reagiu com o anticorpo presente no teste.

Se pode haver falha? Dificilmente. "Esses testes [de farmácia] têm 99% de precisão, até uma linha bem clarinha já denuncia!", responde a ginecologista Carolina Carvalho Ambrogini, especialista em sexualidade pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Mas, quando é você que está lá, no banheiro, recolhendo a primeira urina da manhã, passa longe da sua cabeça essa precisão de quase 100%. "A experiência é cercada por ansiedade", garante o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, psicoterapeuta e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Camila, de 24 anos, professora de educação física, que o diga: "Não consegui seguir as instruções direito de tanto que meu namorado ficava em cima". E esse mix de expectativa com medo dá margem a várias dúvidas, que vamos solucionar agora.


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