Solte a voz contra o Assédio Moral

Texto Dagmar Serpa / Foto Sergio De Divitiis

Vale a pena soltar a voz

Na Grã-Bretanha, uma agente imobiliária processou o chefe que a humilhava, referindo-se principalmente aos seios avantajados. Em julho agora, a Justiça determinou que recebesse 30 mil libras (mais de 90 mil reais) por discriminação, demissão injusta e salários não pagos. No Brasil, uma ferroviária de Campinas (SP) pode receber indenização mais polpuda. Em abril, uma juíza determinou, em primeira instância, que a empresa pague 500 mil reais como compensação por ter sido transferida de setor de forma injustificada várias vezes, sofrer rebaixamento de cargo, ouvir ameaças de ir para o olho da rua e ganhar até o apelido de “Javali”, em referência a não ter mais valia para a companhia. “A empresa entrou com recurso e aguardamos novo julgamento”, diz Ana Cristina Alves, advogada da vítima.

Já a leitora Mariana, de 26 anos, até agora só ganhou uma depressão. “Na empresa de call center onde trabalho desde outubro de 2005, sofremos assédio moral”, confidenciou a NOVA. “Temos cinco minutos para ir ao banheiro, e precisamos pedir antes a um supervisor e aguardar a autorização. Se estouramos o tempo, temos que dizer o que estávamos fazendo. A pressão psicológica é grande e constante.” Ela só percebeu tratar-se de abuso no ano passado. “Adoeci e passei a ser pressionada a pedir demissão. Se eu tinha dúvidas, o supervisor me repreendia. Em novembro, recebi licença médica por depressão e stress e passei a receber auxílio do INSS. Tive alta, voltando à ativa em março deste ano, e 20 dias depois saí de licença novamente. Retornei em maio. Desesperada, até pedi para ser demitida, mas tenho estabilidade até 2009 por causa da licença médica. Choro o tempo todo.”


LEIA MAIS NESTA REPORTAGEM