Solte a voz contra o Assédio Moral

Texto Dagmar Serpa / Foto Sergio De Divitiis

Isolamento cruel

A estudante de história Juliana, de 30 anos, sofreu o diabo nos seis anos em que trabalhou no setor de embalagens de uma indústria farmacêutica. Entrou em 2002 e logo foi eleita para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), o que lhe rendeu estabilidade no emprego. O problema começou após pedir à empresa mais assistência social para os colegas. “Me levaram à sala do diretor industrial, onde estava também o gerente de RH. Ouvi uma reprimenda e tive de assinar uma advertência.” Mais tarde, foi mudada de função sem explicações, depois mandada para outra unidade. Ali, foi colocada para trabalhar em um “quadradinho fechado, na passagem de todo mundo”, e se sentia constrangida. Juliana reagiu. Foi ao sindicato da categoria e obteve uma liminar na Justiça para retornar à unidade de origem. Ficou meses ali, isolada, sendo alvo de comentários. Acabou desligada em julho deste ano, quando terminou o período de estabilidade.

Todo Assedio impõe um regime de medo entre os funcionários, mesmo que eles não sejam diretamente afetados. Por vergonha, a vítima passa a evitar os colegas e se afasta do convívio social. “Perde-se o prazer no cotidiano. É como sofrer traição ou ter uma ferida não curada”, explica Maria Aparecida Bento, doutora em psicologia social e diretora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert). Os efeitos sobre a saúde física e mental são devastadores e variados. Vão de hipertensão arterial, gastrite, cefaléia a doenças cardíacas.


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