Solte a voz contra o Assédio Moral

Texto Dagmar Serpa / Foto Sergio De Divitiis

Antes que seja tarde

Claro, tomar uma atitude contra não é fácil. “O Assedio é um tsunami, que chega de surpresa e destrói a pessoa. Para reagir, ela precisa contar com ajuda”, diz a psicóloga Ana Parreira, autora de assédio moral — Um Manual de Sobrevivência (Russell). “Por outro lado, simplesmente pedir as contas e sair pela porta dos fundos também pode fazer mal”, acrescenta. Ana escreveu o livro após ter sido assediada pela chefe em uma empresa pública por três anos. Demitida, decidiu entrar na Justiça, dar apoio a outras vítimas e realizar palestras e cursos em empresas. Mas é comum a profissional pôr a boca no trombone às vezes tarde demais, quando já adoeceu ou perdeu a auto-estima. Isso ocorre porque muita gente tem dúvidas entre o que é aceitável e o que é realmente Assedio. “É grave quando você se vê exposta de maneira repetitiva e prolongada a atos que discriminam, humilham, desqualificam e desmoralizam”, define Margarida, que em sua tese de doutorado sobre o tema analisou mais de 10 mil questionários respondidos por trabalhadores de todo o país. Em outras palavras, para reclamar com razão, é preciso ser vítima de um conjunto de condutas que caracterizam uma perseguição, mesmo que sutil.

O perigo reside aí. Segundo o psicólogo Roberto Heloani, expert no assunto e professor da Unicamp e da Fundação Getulio Vargas, nem sempre o Assedio se apresenta de forma grosseira. “Muitas vezes, começa com insinuações, indiretas, apelidos. A funcionária só percebe quando já está fragilizada e os colegas criaram uma imagem negativa dela”, fala ele, que é co-autor, com Margarida e a pesquisadora Maria Ester de Freitas, do livro assédio moral no Trabalho (Cengage Learning), lançado este ano. “Em 90% dos casos”, diz Margarida, “o assediador é o chefe.” E as vítimas, conforme Heloani, não são incompetentes, mas criativas, dedicadas e críticas. Muitas vezes, são as que denunciam irregularidades ou recebem benefícios que deixam o chefe com inveja.


LEIA MAIS NESTA REPORTAGEM