Solte a voz contra o Assédio Moral

Quando as broncas e brincadeiras no escritório ultrapassam as fronteiras do profissionalismo e do limite saudável da convivência para se transformar em assédio moral, é hora de pôr a boca no trombone. A boa-nova é que já existe quem dê ouvidos a esse tipo de queixa. E a chance de punição para quem usa o poder da maneira errada também é maior.

Texto Dagmar Serpa / Foto Sergio De Divitiis
Polêmicas de NOVA: Descubra a hora certa para soltar a voz contra broncas que ocorrem no trabalho

Quando trabalhava como operadora de telemarketing em uma grande empresa, a catarinense Schirlei, de 40 anos, acabou passando por uma enxurrada de humilhações.

“Mesmo quando eu cumpria todas as metas, meu trabalho era criticado. Constantemente me lembravam que eu poderia perder o emprego”, conta. “Fiquei seis anos no cargo, quatro deles em perícia médica. Passei por uma cirurgia no ombro, tive inflamações nos braços e entrei em depressão profunda”, acrescenta ela, que acabou mesmo demitida. Schirlei decidiu soltar a voz — está processando a empresa e hoje milita pelo fim do achincalhamento e do constrangimento dentro das corporações.

O assédio moral não é um fenômeno novo. Mas, desde que informações sobre esse mal começaram a ser mais disseminadas e ele passou a ser visto como algo não inerente ao trabalho, boa parte das vítimas tem deixado de sofrer calada e partido para a ação. Por isso, nos últimos anos, as queixas formais se tornaram mais freqüentes e ganharam importância. “É como se tivesse sido tirada a tampa de uma panela de pressão”, explica a médica do trabalho Margarida Barreto, uma das primeiras a se debruçar sobre o tema no país. Entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, por exemplo, a Comissão de Igualdade de Oportunidades de Gênero, de Raça e Etnia, de Pessoas com Deficiência e de Combate à Discriminação, da Superintendência Regional do Trabalho e do Emprego de São Paulo, recebeu 871 denúncias de Assedio. Em 2007, foram 495. No primeiro semestre deste ano, elas já somam 288.


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