Muita gente se pergunta por que ficar sofrendo se é possível ingerir um pouco de felicidade com um copo de água. É essa solução instantânea e mágica que se busca com o antidepressivo. Só que, aparecendo outra crise, é bem provável que o alívio venha, novamente, na forma de mais copos de água com pílula. O preço disso?
1 Não aprender a lidar com os problemas.
2 Não conseguir mais andar sem essa muleta — e perder o controle da própria vida.
3 Desenvolver problemas de saúde. “A fluoxetina pode acarretar reações adversas como hiperglicemia, suspensão da menstruação, complicação nas funções hepáticas, alucinação, tremor, bruxismo e tendência ao suicídio”, explica o psicofarmacologista Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Quando se toma antidepressivo por conta própria ou receitado por um médico que não conhece o histórico de saúde da paciente, há outros dois riscos: 1. efeitos colaterais por causa da combinação de diferentes medicamentos. O dr. Wong explica que o uso de antidepressivo com remédios para pressão alta, para dormir e descongestionantes nasais pode elevar a pressão arterial. Existe também a chance de, em associação com anticoncepcional, esse último ter sua eficácia comprometida; 2. possibilidade de desencadear quadros de anorexia, psicose e paranóia, quando consumido em excesso.
É claro que, em casos de depressão comprovada, o medicamento é muito bem-vindo. “Ele realmente melhora a qualidade de vida da paciente”, diz o dr. Wong. Segundo o psiquiatra Moreno, para diagnosticar a doença, o especialista deve analisar vários fatores: desde a aparência (expressão triste, olhar melancólico, ombros curvados, tendência ao choro) até alterações mentais (falta de interesse pelas tarefas do dia-a-dia, diminuição da capacidade de sentir prazer por atividades que antes alegravam a vida, raciocínio mais lento, redução da concentração), passando pela ocorrência de distúrbios do sono, diminuição da libido, dores no corpo... Daí a importância de procurar um médico capaz de analisar todas as vertentes do problema, e não apenas ver se a paciente anda triste e sem ânimo. “A recuperação de uma dor significativa, de um luto, pode levar de alguns meses a dois anos”, explica a psicóloga Maria José Nery, de Campinas (SP). “Não é da noite para o dia que tudo ficará bem novamente.” No entanto, a especialista lembra que quem persistir, sem recorrer à alegria artificial, poderá ser mais feliz, pois nesse processo é possível se transformar em uma mulher mais forte emocionalmente.
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