Felicidade artificial

Texto Sandra Hirata e Giuliana Cury / Foto Alfredo Franco

Química necessária

A depressão é muito mais que um estado psicológico momentâneo, do tipo “hoje estou deprê”. É uma doença que decorre de uma alteração na química do cérebro e precisa ser monitorada a vida inteira, da mesma maneira que se faz com hipertensão e diabete. Em alguns casos, basta um período tomando a medicação para os sintomas sumirem. Em outros, há recaídas. “Cada caso é único”, explica o psiquiatra Ricardo Moreno. O fator hereditário é importante: quem possui parente direto que sofre da doença tem 40% mais de chance de desenvolvêla. Mas a depressão também pode chegar sem nenhum motivo aparente, sem nenhuma crise, dor ou perda, como aconteceu com a agropecuarista Patrícia Matarazzo, de 39 anos, que há três anos mergulhou em uma melancolia profunda — e sem explicação. “A vida, de repente, ficou cinza, perdi a fome, me sentia triste o tempo todo, não tinha vontade de sair de casa. Sempre fui louca pela Disney e resolvi ir mesmo estando deprimida.... Chegando lá, não via graça em nada e permaneci no quarto o tempo todo”, lembra. Felizmente, o psiquiatra fez o diagnóstico correto e ela tomou medicação por um ano e meio — e hoje está bem, sem o remédio.


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