O publicitário gaúcho Felipe*, de 29 anos, namora há um ano e meio a arquiteta julia, de 27. Eles são apaixonados e felizes. Mas felipe é infiel e não se sente nem um pouco culpado por isso.
NEM CHEGUEI a tirar a aliança de compromisso com o nome da minha namorada, Julia, e a data em que ficamos pela primeira vez: 17 de janeiro de 2005. A garota com quem transei a noite inteira, Marcela, sabe que não sou solteiro e não liga. Não temos um caso. Fui para a cama com ela por puro tesão. Sim, traí minha namorada ontem, e muitas outras vezes antes disso.
CONHEÇO MARCELA há cinco meses. Ela é uma produtora moderninha. Eu, gerente de marketing. Trabalhamos em andares diferentes da mesma emissora de tevê. Morena, baixinha, peituda e com lábios carnudos a moça me inspirou pensamentos eróticos desde a primeira vez que a vi. Logo me apresentei, e passamos a conversar alguns minutos por dia. Ela me contava sobre os bastidores do programa em que trabalha, eu olhava para o generoso preenchimento do seu decote. Com o tempo, passamos a falar da vida pessoal.
SEMPRE SENTI um clima entre nós, e ontem à noite ele se materializou. Nos encontramos no elevador, na saída do trabalho, e Marcela perguntou se eu ia para o centro. Não ia, mas respondi que sim. Ela pediu carona e, já no carro, começamos a nos esbarrar mais do que o natural entre pessoas com um mínimo de coordenação motora. Marcela contou sobre o último programa, coincidentemente dedicado ao tema infidelidade, e aproveitou para perguntar a minha posição sobre o assunto. "Depende. Se fosse com você, eu ficaria por baixo, apreciando a vista", respondi. Ela riu e, minutos depois, me convidou para subir ao seu apartamento.
PARA NÃO FICAR tão óbvio, ofereceu uma cerveja, mas eu sabia que o jogo estava ganho. Marcela ria por qualquer bobagem que eu dissesse, sinal clássico de interesse. Ela estava nervosa e falava demais, mas a fiz calar a boca com um beijo, depois de meia lata de cerveja. Agi rápido para que ela não tivesse tempo de pensar. Em 20 minutos estávamos sem roupa, ela por cima. E que vista eram aqueles seios...
SAÍ DE LÁ no dia seguinte, passei em casa, tomei banho e fui para o trabalho, 40 minutos atrasado. A rapidinha pela manhã compensou o olhar torto do chefe, especialmente porque precisava deixar a garota naquela zonzeira pós-sexo para introduzir um assunto importante: seria uma transa e nada mais. Terminar com alguém logo depois de dormir com ela é sempre delicado, ainda mais sendo uma amiga do trabalho. Fui tão sincero quanto pude: falei de quanto ela me enlouquecia, mas que amava minha namorada e não iria adiante. Por sorte, foi fácil. Ela também tinha os próprios rolos.
TUDO ESCLARECIDO, fui mais tranqüilo encontrar Julia para nosso almoço semanal. Ela estava linda. Alta, magra e de pele bem clara. Sua elegância, as pernas longas, as maçãs do rosto altas, o cabelo escuro e longo, ela lembra uma top model. Desde que nos conhecemos, só precisei de cinco minutos para me sentir apaixonado. Eu amo Julia mais do que já amei qualquer outra mulher. Quero que meus filhos se pareçam com ela, quero passar as férias dos próximos 60 anos ao lado dela, quero ver seu rosto todos os dias de manhã. Além de linda, Julia é inteligente, culta, bem-sucedida e engraçada. Conversar com ela - mesmo de roupa - é um dos meus programas favoritos. Em um mês de namoro, já sabia mais sobre mim do que amigos que me conhecem há 20 anos. E o sexo é ótimo: ela está sempre a fim, toma iniciativa, usa lingeries de matar, coleciona brinquedinhos de sex shop, olha nos meus olhos quando faz sexo oral. Tudo o que um homem deseja.
NÃO ME LEMBRO da última vez que brigamos, e a desculpa da rotina não cabe, porque nos vemos pouco. Estamos, os dois, em fase de acelerar a carreira. Faço MBA de quinta a sábado. Julia tem dois empregos, e um deles é em outra cidade, às segundas e terças. Além disso, a cada 15 dias ela tem aulas de pós-graduação. E meu trabalho ainda exige viagens constantes. O que nos deixa, basicamente, apenas com os almoços e as noites de quarta, as tardes de domingos e algumas madrugadas durante a semana, o que ela geralmente não topa, porque trabalha cedo. E eu fico cheio de tempo livre para pensar (e fazer) o que quiser.
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