Por que a gente tem pânico de barata?

Esta lá, na Declaração dos Direitos da Mulher de NOVA: todas nós temos licença para ter medo de barata. É que nenhum inseto causa tanta rejeição quanto esse monstrinho achatado, de casca marrom e... nojento. Só de pensar já dá arrepio! Mas, num gesto de coragem súbita, enfrentamos o pavor de tocar no assunto para achar explicações.

Daniela Folloni

Mania de perseguição

Pode parecer paranóia, coincidência, mas sempre que uma barata aparece correndo para debaixo dos móveis quem avista é uma mulher. Parece até que a bichinha tem atração por hormônios femininos! A publicitária Priscila, de 27 anos, nunca vai esquecer o dia em que estava deitada e sentiu algo se mexendo no cabelo. "Gritei, chorei e esperneei até que a atrevida resolveu sair voando", conta A advogada Giuliana, de 35 anos, também se viu em apuros: "A barata passou pela saída de ar do carro e começou a subir pelo vidro. Por sorte, encontrei um posto de gasolina. Saí gritando. Os frentistas vieram com o extintor achando que era incêndio!" A assistente administrativa Priscila, de 26 anos, chegou a sair descalça na rua depois de ver um monstro de 3 centímetros em casa. Coisa de moça histérica? Nada disso. "Quem sofre de entomofobia [medo de inseto] sente até tremedeira, mãos frias e taquicardia, como num ataque de pânico", explica o neurologista Mauro Muskat, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Quem quer essa tortura?

Até os humanos da pré-história tinham problemas com barata. "Sempre que nossos ancestrais estavam em locais inóspitos e em situações ruins, ela aparecia", conta a psiquiatra Ana Beatriz Silva, autora do livro Mentes com Medo (Integrare). "A lembrança foi passada por meio das gerações e ficou gravada em nossos genes." Segundo o jornal The Baltimore Sun, essa relação mal resolvida com o inseto já foi explorada para efeito de tortura num antigo manual secreto da CIA: "Descubra as fobias como medo de barata e use-as contra o preso". Para piorar o quadro, conviver com baratas faz mal à saúde. Seus detritos causam pneumonia, alergias e infecções respiratórias, segundo a alergista Ana Paula Castro, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Viu como temos razão?

Céus, elas são imortais!

Se uma vassourada garantisse o fim do pânico em cem por cento das vezes, tudo bem. O problema é que ela foge com habilidade ímpar ou, pior, sai voando. "Baratas possuem sensores que indicam movimentação do ar, servindo de alerta contra predadores", diz o entomologista Marcos Potenza, do Instituto Biológico de São Paulo. E, mesmo que se consiga esmagar a cabeça dela, o esforço pode ser em vão, porque seus órgãos vitais estão espalhados pelo corpo. A dificuldade de matar é tanta que corre na internet esta piada: "Como se faz para matar uma barata? Use sal, pinga, fósforo e pedra. Coloque tudo no chão nessa seqüência. Aí, a barata come o sal pensando que é açúcar, fica com sede e bebe pinga pensando que é água, fica bêbada, tropeça no palito, bate a cabeça na pedra e morre de traumatismo craniano".

É correr ou vencer

Nesse jogo de quem-é-o-mais-forte, ou você tem alguém por perto pronto para matar a bandida, ou arma-se (com sapato, vassoura, inseticida...) e parte para cima dela, ou supera o medo. "A terapia mais comum nesse caso é a de exposição, quando vamos aproximando a pessoa daquilo que ela teme", conta a psicóloga Olga Inês Tessari, autora do livro Dirija Sua Vida sem Medo (Letras Jurídicas). Vai encarar?